sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fajuto

Eu carrego uma dor.

Extrema dor, extrema.

Borboleta que voar recusou,

Beija-flor que perdeu as penas

Por causa de uma, única flor.

Eu carrego uma agonia

Fria, fria, congelante,

Calafrio que estremece minha espinha,

Inverno que me acompanha desde o instante,

Que me faz sonhar, em que te conhecia.

Me carregam, pois tudo acabou

O Verão aqui vindo, raio-de-sol em mim,

Eu não sei, eu não vi, e também passou.

Eu sumi de mim, enquanto deveria

Estar longe, em Berlim, na Irlanda, na sua vida...

Por A. Carvalho, “Fajuto”.

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