Eu carrego uma dor.
Extrema dor, extrema.
Borboleta que voar recusou,
Beija-flor que perdeu as penas
Por causa de uma, única flor.
Eu carrego uma agonia
Fria, fria, congelante,
Calafrio que estremece minha espinha,
Inverno que me acompanha desde o instante,
Que me faz sonhar, em que te conhecia.
Me carregam, pois tudo acabou
O Verão aqui vindo, raio-de-sol em mim,
Eu não sei, eu não vi, e também passou.
Eu sumi de mim, enquanto deveria
Estar longe, em Berlim, na Irlanda, na sua vida...
Por A. Carvalho, “Fajuto”.
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